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O golpe das pesquisas contra Cháves

Local: São Paulo
Fonte: Eduardo Guimarães
Link: http://edu.guim.blog.uol.com.br/

Impressiona a forma como as mídias daqui e da Venezuela agem como uma só, na intenção de desinformar e manipular brasileiros e venezuelanos. Institutos de pesquisa fajutos da Venezuela voltam a aplicar golpes nos venezuelanos. Desta vez, afirmam que o não vencerá o referendo popular à proposta de Hugo Chávez de reforma da constituição venezuelana. Enquanto isso, a mídia brasileira bate bumbo, tentando convencer os brasileiros daquilo que sua congênere venezuelana quer convencer os venezuelanos. Temos sido bombardeados com notícias sobre pesquisas desfavoráveis à reforma constitucional. São notícias como a que reproduzo abaixo, publicada na Folha de são Paulo no último domingo (25/11):

"Chávez perde frente - Pesquisa divulgada ontem pelo respeitado instituto Datanálisis revela que, pela primeira vez, Chávez perderia o referendo de domingo. Segundo o levantamento, 49% dos eleitores que disseram que comparecerão às urnas rechaçam a reforma constitucional, contra 39% que votariam pelo 'sim'. "

Essas pesquisas pré-eleitorais dando conta de prováveis derrotas de Chávez, não são novidade. A seguir, apresento-lhes uma outra pesquisa, feita por mim no começo deste ano no arquivo do jornal Folha de São Paulo. Ela começa pouco antes da tentativa de golpe de Estado de 2002 na Venezuela e mostra que durante os dois anos seguintes, até pouco antes do referendo revogatório de 2004, "respeitáveis" pesquisas de opinião mostravam que Chávez seria derrotado. Ao fim deste texto, porém, vejam o que aconteceu em 15 de agosto de 2004, conforme notícia públicada na Folha dois dias depois (17/08/04).

Divirtam-se.

*

Folha de São Paulo, 09/01/2002
Origem do texto: DA REDAÇÃO; DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Editoria: MUNDO Página: A11
"(...) Uma pesquisa realizada em dezembro pelo instituto privado Consultores 21 e divulgada ontem pelo "Nacional" mostra que a popularidade do presidente [Hugo Chávez]está caindo. Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados votariam contra Chávez num plebiscito para revogar o mandato do presidente. Em agosto, apenas 36% apoiavam a idéia (...)"

Folha de São Paulo, 24/01/2002
Origem do texto: DA REDAÇÃO; DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Editoria: MUNDO Página: A10
"(...) De acordo com as últimas pesquisas, realizadas em dezembro, Chávez conta com o apoio de apenas 35% dos entrevistados (...)"

Folha de São Paulo, 19/02/2002
Origem do texto: DA REDAÇÃO; DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Editoria: MUNDO Página: A12
"(...) Chávez, coronel do Exército que participou de uma tentativa frustrada de golpe militar em 1992, foi eleito presidente em 1998 e assumiu o governo com mais de 90% de aprovação. De acordo com as últimas pesquisas, sua popularidade já caiu abaixo de 30% (...)"

Folha de São Paulo, 13/04/2002
Origem do texto: DA REDAÇÃO
Editoria: MUNDO Página: A15
"(...) O apoio popular a Chávez, que chegou a cerca de 90% na época de sua posse para o primeiro mandato, no início de 1999, caiu para menos de 30%, segundo as últimas pesquisas, em razão principalmente da sua incapacidade em cumprir com suas principais promessas eleitorais (...)"

Folha de São Paulo, 13/04/2002
Origem do texto: ENVIADO ESPECIAL A CARACAS
Editoria: PRIMEIRA PÁGINA Página: A1
Militares depõem Chávez; civil toma posse e dissolve Poderes
"Depois de derrubarem na madrugada de ontem Hugo Chávez Frías, 47, os militares venezuelanos empossaram como presidente interino o principal líder empresarial do país, Pedro Carmona Stanga, 60.
Carmona dissolveu o Congresso, destituiu todos os membros da Suprema Corte e prometeu convocar em até um ano eleições presidenciais e, em prazo menor, legislativas (...)"

Folha de São Paulo, 14/04/2002
Origem do texto: DE NOVA YORK
Editoria: MUNDO Página: A29
" 'Estou maravilhado', diz o economista Jeffrey Sachs (...)"

Folha de São Paulo, 14/04/2002
Origem do texto: DO ENVIADO ESPECIAL A CARACAS
Editoria: MUNDO Página: A25
Emissoras censuram cenas de protesto
"(...) Após apoiarem ostensivamente as manifestações que precipitaram a queda do presidente Hugo Chávez, as principais emissoras privadas de TV da Venezuela fizeram ontem um acordo para não exibir nem mencionar os protestos a favor do presidente deposto. Nove pessoas morreram e 45 ficaram feridas ontem em protestos contra o golpe que derrubou Chávez, segundo o prefeito de Caracas Alfredo Peña, adversário do presidente deposto. Seis delas teriam morrido quando um caminhão esmagou um carro pouco depois de favelados chavistas fecharem a estrada que liga Caracas ao aeroporto Simon Bolívar (...)"

Folha de São Paulo, 14/04/2002
Origem do texto: DO ENVIADO ESPECIAL A CARACAS
Editoria: MUNDO Página: A24
Ricos festejam queda do presidente
"Chuca Taberna de Obregón, 50, mulher de um dos maiores empresários do ramo imobiliário de Caracas, é a típica venezuelana por trás da deposição do presidente Hugo Chávez. Católica fervorosa e descendente de espanhóis, Chuca deixou que suas duas filhas fossem às manifestações de dezembro passado e a da última quinta-feira "desde que levassem celular e se o motorista as levasse e as trouxesse de volta". O ódio de Chuca a Chávez é tamanho que, ao voltar de uma temporada em Miami na última sexta-feira, juntou-se a outros venezuelanos que hostilizaram o ex-chanceler Luis Alfonso Davila no aeroporto Simon Bolívar, nos arredores de Caracas (...)"

Folha de São Paulo, 15/04/2002
Editoria: MUNDO Página: A8
POR QUE CHÁVEZ CAIU
"Incapaz de cumprir suas principais promessas de campanha _o combate à corrupção e à pobreza que atinge 70% da população_ Chávez perde popularidade. Dos 90% de apoio que tinha após sua primeira eleição, em 1998, conservava apenas 30%, segundo as últimas pesquisas de opinião"

Folha de São Paulo, 17/11/2002
Origem do texto: DA REDAÇÃO
Editoria: MUNDO Página: A21
"Anteontem, o Conselho Nacional Eleitoral decidiu que a proposta feita no início do mês pela opositora Coordenação Democrática para um referendo, num abaixo-assinado que recolheu 1,5 milhão de assinaturas, é legal. (...) Se essa consulta fosse feita hoje, Chávez seria rechaçado por cerca de 65% dos venezuelanos, segundo as últimas pesquisas (...)"

Folha de São Paulo, 21/11/2002
Editoria: MUNDO Página: A17
Edição: São Paulo Nov 21, 2002
"Pesquisa de opinião do instituto Consultores 21, divulgada ontem, indica que 60% dos venezuelanos votariam pela saída do presidente Hugo Chávez caso houvesse um referendo no país (...)"

Folha de São Paulo, 03/12/2002
Editoria: MUNDO Página: A10
"(...) Chávez perdeu apoio popular _segundo as pesquisas, caiu de 90%, logo após a posse, para menos de 30% (...)"

Folha de São Paulo, 03/12/2002
Editoria: MUNDO Página: A10
Popularidade em queda
"(...) Popularidade [de Chávez cai] dos 90% que tinha após a eleição para menos de 30%

Folha de São Paulo, 06/12/2002
Editoria: MUNDO Página: A12
Popularidade em queda
"(...) Chávez vê sua popularidade cair dos 90% que tinha após a eleição de 1998 para menos de 30% (...)"

Folha de São Paulo, 08/12/2002
Editoria: MUNDO Página: A23
Edição: São Paulo Dec 8, 2002
Apoio popular
"(...) Chávez perdeu apoio popular _segundo as pesquisas, caiu de 90%, logo após a posse, para menos de 30% (...)"

Folha de São Paulo, 11/12/2002
Origem do texto: DA REDAÇÃO; DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Editoria: MUNDO Página: A11
"(...) Segundo as pesquisas, cerca de 65% dos venezuelanos votariam contra Chávez em um referendo (...)"

Folha de São Paulo, 21/02/2003
Editoria: MUNDO Página: A11
Popularidade em queda
"(...) A aprovação a Chávez cai de 90%, em 1998, para menos de 30% (...)"

Folha de São Paulo, 21/08/2003
Origem do texto: DA REDAÇÃO; DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Editoria: MUNDO Página: A16
"(...) Ainda que o referendo ocorra antes do ano que vem, os analistas vêem grandes dificuldades para que a oposição consiga afastá-lo [Chávez], apesar de as pesquisas indicarem que entre 65% e 70% dos venezuelanos rechaçam sua administração (...)"

Folha de São Paulo, 11/03/2004
Autor: OTAVIO FRIAS FILHO
Editoria: OPINIÃO Página: A2
Ditadura em gestação
"(...) Pesquisas de opinião indicam hoje que Chávez não é respaldado por mais de um terço da população (...)"

Folha de São Paulo, 12/07/2004
Origem do texto: DA REDAÇÃO; DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Editoria: MUNDO Página: A10
"(...) Diversas pesquisas de opinião indicam que Chávez perderá no referendo (...)"

Folha de São Paulo, 31/07/2004
Origem do texto: DA REDAÇÃO; DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Editoria: MUNDO Página: A12
"(...) A duas semanas de um plebiscito convocado pela oposição que pode tirar Hugo Chávez do poder, duas pesquisas eleitorais divulgadas ontem mostram que o presidente venezuelano sairia vencedor (...)"

Folha de São Paulo, 09/08/2004
Origem do texto: DA REDAÇÃO; DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Editoria: MUNDO Página: A8
Ato pró-Chávez reúne centenas de milhares
"A uma semana da realização do plebiscito sobre a retirada ou não de Hugo Chávez do poder, Caracas assistiu ontem a uma manifestação que reuniu centenas de milhares de pessoas em apoio ao presidente (...)"

Folha de São Paulo, 15/08/2004
Editoria: OPINIÃO Página: A2
A VENEZUELA DECIDE
"CERCA DE 14 milhões de venezuelanos estão habilitados para votar hoje no plebiscito que vai decidir o destino do presidente Hugo Chávez. Se a oposição conseguir reunir mais de 3,8 milhões de escrutínios, Chávez deverá deixar o posto, e um novo pleito será convocado para escolher quem concluirá o restante de seu mandato, previsto para acabar em janeiro de 2007. Embora o quadro esteja indefinido, a evolução das pesquisas de intenção de voto sugere que Chávez tem boas chances de conservar-se no poder (...)"

Folha de São Paulo, 17/08/2004
Origem do texto: ENVIADO ESPECIAL A CARACAS
Editoria: PRIMEIRA PÁGINA Página: A1
Chávez vence plebiscito e fica no poder
"(...) O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, venceu o plebiscito de anteontem, convocado pela oposição para abreviar seu mandato. A vitória foi anunciada oficialmente pelo Conselho Nacional Eleitoral. De um total de 94,49% dos votos apurados, Chávez obteve 58,25%, contra 41,74% que votaram a favor de sua saída (...)".

 

*Publicado por Nezimar Borges

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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