ABI Apoia Projeto Transparência
Rodrigo Caixeta, da ABI
Rio de Janeiro, 09/07/2007– O ex-senador João Capiberibe (PSB-AP) e a deputada federal Janete
Capiberibe (PSB-AP) estiveram na ABI na tarde desta segunda-feira, dia
9, para apresentar ao Presidente da Casa, Maurício Azêdo, o Projeto
Transparência, que obriga os gestores de orçamentos públicos a
disponibilizar na internet as informações detalhadas e atualizadas das
despesas e receitas dos órgãos, nas esferas federais, estaduais ou
municipais. O presidente da ABI assinou manifesto de entidades da
sociedade civil pedindo urgência na aprovação do Projeto Transparência
e apresentará sua defesa da proposta ao presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia.

O
Projeto de Lei Complementar 217/04 prevê que Prefeituras, Câmara de
Vereadores, Governos Estaduais, Assembléias Legislativas, Governo
Federal, Câmara dos Deputados, Senado, Judiciário publiquem suas contas
na Internet.
Segundo
o senador João Capiberibe, o Projeto Transparência foi implantado em
2001 — enquanto vigia seu mandato de Governador do Estado do Amapá —,
com o intuito de publicar, sem qualquer restrição, a movimentação
orçamentária e financeira daquele governo. As informações eram
disponibilizadas em tempo real e qualquer cidadão podia consultar os
saldos das contas bancárias do governo e conhecer os preços pagos por
serviços, obras e bens de consumo adquiridos pelos diversos órgãos
governamentais:
“A
transparência nas contas públicas é um poderoso instrumento de controle
social republicano, que reduz as práticas criminosas na aplicação do
dinheiro do contribuinte”.
João
Capiberibe — que já foi Prefeito de Macapá e Governador do Amapá de
1995 a 2002 — teve seu mandato de Senador cassado em 2004, sob a
acusação de compra de votos. Na época, o Tribunal Superior Eleitoral
condenou-o, bem como sua mulher, a Deputada Janete Capiberibe, devido
às acusações de duas mulheres que disseram ter recebido R$ 26,00 para
votar no casal. João e Janete tiveram o mandato interrompido no
terceiro ano de gestão, sendo que a Deputada foi posteriormente eleita,
com a maior votação de seu estado. Eles contestaram a veracidade dos
relatos no processo, cujo relator era o então Ministro do TSE Carlos
Velloso, a quem o ex-Senador dirigiu recentemente uma carta aberta,
criticando a absolvição, naquele mesmo ano, do então Governador do
Distrito Federal Joaquim Roriz (PMDB), acusado de improbidade
administrativa.
Aprovação
O
PLP 217/04 foi aprovado em todas as comissões e no plenário do Senado
por unanimidade, e também nas comissões de Justiça e Redação e de
Finanças da Câmara dos Deputados, onde aguarda pauta para ser votado em
plenário, para então seguir para sanção do Presidente Lula.
João
Capiberibe, pioneiro na utilização da Internet como instrumento de
transparência das contas públicas, fez escola. Sua idéia chegou ao
Ministério da Ciência e Tecnologia, que passou a expor, no portal do
MCT, o empenhamento de todas as despesas realizadas tanto pelo
Ministério como por todos os órgãos vinculados a seu orçamento.
Para
a Deputada Janete Capiberibe, que integra a Frente Parlamentar
Anti-Corrupção da Câmara dos Deputados, a aprovação do PLP 217/04
auxiliará no combate à corrupção praticada contra os cofres públicos e
ajudará a melhorar a imagem do Parlamento brasileiro:
“É
uma medida que contribuirá significativamente para reduzir a corrupção
no setor. Se já estivesse em vigor, qualquer cidadão poderia ter
comparado preços, por exemplo, no superfaturamento de ambulâncias feito
pelos sanguessugas e denunciado o crime contra o patrimônio público.
Acima deste efeito prático, aperfeiçoa o exercício da democracia
representativa, já que permitirá ao representado a fiscalização direta
sobre seu escolhido ou sobre o servidor público”.
O
ex-Senador reforça que o seu projeto contribui para a implementação da
democracia efetivamente participativa, fundamentada no art. 1º da
Constituição da República Federativa do Brasil: “Todo o poder emana do
povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
nos termos desta Constituição”.
A
transparência e a garantia de acesso às informações públicas são
imprescindíveis a qualquer regime democrático e previnem contra a
corrupção.
Nas
últimas semanas, João e Janete têm visitado diversas instituições e
recebido o apoio de entidades públicas civis como a Confederação
Nacional dos Bispos do Brasil, a Controladoria Geral da União, a
Procuradoria Geral da República, a Confederação Nacional da Indústria,
a Fecomércio do Distrito Federal, a Associação dos Juízes Federais e a
Polícia Federal.
Rodrigo Caixeta, da ABI
*Publicado por Nezimar Borges
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