Ajufe defende aprovação urgente do “projeto
transparência”
(29/06/2007 - 16:21)
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe)
defendeu a aprovação rápida do projeto de lei complementar
que obriga os gestores de orçamentos públicos a manter
na internet página com informações detalhadas e
atualizadas das despesas e receitas dos órgãos, sejam
federais, estaduais ou municipais. A entidade encaminhou aos deputados
pedido para que seja dado prioridade à votação
desse projeto (PLP 217/2004), aprovado pelo Senado, e pronto para ser
votado pelo plenário da Câmara dos Deputados.
O presidente da Ajufe, Walter Nunes, diz que a aprovação
do “projeto transparência”, como é chamado,
criará condições para a fiscalização
das ações administrativas, um mecanismo básico
de prevenção contra a corrupção. “A
garantia de acesso a informações públicas são
imprescindíveis a qualquer regime democrático”,
afirma.
Pelo projeto, prefeituras e câmara de vereadores, governos estaduais
e assembléias, governo federal, Câmara dos Deputados, Senado,
Judiciário e demais órgãos da administração
direta e indireta terão, obrigatoriamente, que publicar as suas
contas na internet.
Segue íntegra do ofício:
Senhor deputado,
A Associação dos Juízes Federais do Brasil –
AJUFE solicita a atenção de Vossa Excelência ao
PLP 217/2004, conhecido como “projeto transparência”,
e pede apoio para que esta proposição seja votada pelo
plenário desta Casa com urgência, dada a relevância
da matéria.
Entidade de classe que tem dentre as prioridades a luta pela transparência
dos atos da administração pública, por esta constituir-se
requisito essencial da cidadania, a AJUFE considera que o PLP 217 atende,
de forma eficiente, a esse pressuposto, ao estabelecer a obrigatoriedade
de todos os gestores de orçamentos públicos do país
criarem uma página na Internet com informações
detalhadas, atualizadas e claras sobre a execução orçamentária
(receitas e despesas), de todos os órgãos dos poderes
Executivo, Judiciário e Legislativo da União, Estados
e Municípios e do Distrito Federal.
A transparência das ações administrativas impõe,
evidentemente, que estas tenham publicidade, o que significa a divulgação
de informações de modo mais acessível possível
a qualquer cidadão. É uma questão básica
para a implementação da democracia efetivamente participativa,
fundamento da República Federativa do Brasil, explicitada no
parágrafo único do art. 1º da Constituição:
“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
O alcance do PLP 217/2004 é exatamente esse. O povo exerce o
poder indiretamente por meio de Vossa Excelência e seus pares.
As informações da Administração Pública,
em qualquer esfera, não pertencem ao órgão ou a
quem exerce cargo público, mas são de domínio público.
Torná-las acessíveis, como estabelece o referido projeto,
é possibilitar o exercício direto do poder pelo povo.
Isso porque será dada a oportunidade a cada cidadão de
acompanhar para onde estão indo os recursos arrecadados e como
estão sendo gastos pelos órgãos públicos.
Essas informações são fundamentais para que a coletividade
possa exercer, de forma consciente, a fiscalização em
defesa de seus interesses, em nome da soberania popular.
Há avanços inegáveis em relação à
publicidade das contas públicas. O Sistema Integrado de Administração
Financeira do Governo Federal – SIAFI é um exemplo de que
o Projeto Transparência, de autoria da deputada Janete Capiberibe
e do senador João Alberto Capiberibe, é exeqüível,
pelos inúmeros avanços registrados nessa direção.
É necessária, entretanto, uma mudança mais abrangente,
de adoção, por parte da administração pública,
da cultura da transparência.
A propósito, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto
de Lei 219/2003, do deputado Reginaldo Lopes, que regulamenta o inciso
XXXIII do art. 5º, da Constituição Federal, dispondo
sobre prestação de informações da Administração
Pública. O referido projeto tem sido alvo de discussão
por parte do Fórum do Direito de Acesso a Informações
Públicas, do qual esta entidade faz parte.
A AJUFE tem dedicado atenção especial ao tema por entender
que transparência e garantia de acesso a informações
públicas são imprescindíveis a qualquer regime
democrático. Constituem-se, também, condições
básicas para a fiscalização dos atos administrativos
destinados à prevenção contra a corrupção.
Pelo exposto, a AJUFE solicita o apoio de Vossa Excelência para
a aprovação do Projeto Transparência.
Walter Nunes da Silva Júnior
Presidente da AJUFE
*Publicado por Nezimar Borges
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