Britto pede a Chinaglia que vote PL sobre divulgação de gastos
Brasília,
11/07/2007 – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), Cezar Britto, encaminhou hoje (11) ao presidente da Câmara dos
Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ofício manifestando o seu apoio
ao projeto de lei nº 217/04 – o chamado “Projeto Transparência” –, que
determina a obrigatoriedade de divulgação na Internet de informações
detalhadas sobre a execução orçamentária e gastos de todos os entes
públicos. No entendimento de Cezar Brito, externado no documento
remetido a Chinaglia, o projeto possibilita ao cidadão “acompanhar para
estão indo os recursos arrecadados e como estão sendo gastos pelos
órgãos públicos”.
A autora do projeto 217/04, a
deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP), foi recebida na noite
dessa terça-feira por Brito, ocasião em que esboçou os termos do
projeto, que aguarda inclusão em pauta e votação no Plenário da Câmara
dos Deputados.
A seguir, a íntegra do ofício enviado pelo presidente nacional da OAB ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia:
“Exmº Senhor
Deputado Federal Arlindo Chinaglia
Presidente da Câmara dos Deputados
Brasília/DF
Senhor Presidente,
A entidade de classe, subscritora do presente manifesto, solicita a
atenção de Vossa Excelência ao PLP 217/2004, conhecido como “Projeto
Transparência”, para que esta proposição seja votada pelo plenário
desta Casa, com urgência, dada a relevância da matéria.
Considera que o PLP 217 atende, de forma correta, ao pressuposto da
urgência, pois estabelece a obrigatoriedade de serem expostos os
orçamentos públicos do país na Internet, em tempo real, com informações
detalhadas e claras da execução orçamentária de todos os entes públicos
brasileiros, sendo por isso uma ferramenta no combate a corrupção nos
serviços públicos do país.
A transparência da execução orçamentária impõe a sua publicidade, o que
significa a divulgação de informações de modo mais acessível possível a
qualquer cidadão. É uma questão básica para a implementação da
democracia efetivamente participativa, fundamento da República
Federativa do Brasil, explicitada no parágrafo único do art. 1º da
Constituição: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
O alcance do PLP 217/2004 é exatamente esse. O povo exerce o poder
indiretamente por meio de Vossa Excelência e seus pares. As informações
da Administração Pública, em qualquer esfera, não pertencem ao órgão ou
a quem exerce cargo público, elas são de domínio público.
O referido projeto possibilita o exercício direto do poder pelo povo.
Isso porque cada cidadão terá a oportunidade de acompanhar para onde
estão indo os recursos arrecadados e como estão sendo gastos pelos
órgãos públicos. Essas informações são fundamentais para que a
coletividade possa exercer, de forma consciente, a fiscalização em
defesa de seus interesses, em nome da soberania popular.
Pelo exposto, solicitamos o apoio de Vossa Excelência para que seja colocado em votação o Projeto Transparência.
Colho o ensejo para, cumprimentando-o, reiterar à Vossa Excelência
expressões da mais elevada estima e distinta consideração.
Atenciosamente,
Cezar Britto, presidente nacional da OAB”
*Publicado por Nezimar Borges
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